Que cuidados e prioridades devemos ter na escolha de um infantário?

Sexta-feira foi o último dia do JM no Alcofinha. O infantário (ou escolinha como lhe chamamos) vai até aos 3 anos. Apartir de hoje, o rapaz crescido já vai para a pré-escola (ou escola dos grandes como ele lhe chama). Foram 3 anos de uma relação perfeita entre nós (pais) e o Alcofinha, ele (JM) e o Alcofinha e nós (pais) e o JM. De facto, o Alcofinha facilitou-nos muito a função de sermos pais do JM. Foram elas que nos ajudaram a dar-lhe alimentos sólidos (e os líquidos), a tirar-lhe a fralda, a melhorar as suas artes plásticas, entre outros desafios que foram surgindo ao longo deste tempo todo. Se eu mandasse, todos os pais teriam um Alcofinha disponível para os ajudar na tarefa de serem pais. Enquanto eu não mando, deixo-vos algumas dicas para tentarem encontrar um infantário à altura.

Há dois factores que são prioritários na escolha do infantário. Refiro-me o local (de preferência na rota de um dos pais) e o horário de entrada e de prolongamento (que permita conjugar a hora de entrega e de recolha com o horário dos pais ou familiares). Digo que estes são prioritários, porque o tempo precioso que se gasta em filas de trânsito para levar e buscar o petiz no infantário XPTO pode bem ser usado a chegar a casa (ou sair, conforme o caso) 30-45 minutos mais cedo e ter tempo para brincar com os pais. Esse tempo é bem mais importante do que grandes planos educativos que se vendem por aí. O preço acaba por ser determinante também, embora aqui pelo Porto, o preço dos infantários não varie assim tanto.

Depois, existem as comidas. A generalidade dos infantários pede que os pais tragam o leite adaptado e as papas que costumam fazer em casa, para não haver mudanças. Mas alguns exageram, obrigando que até ao primeiro ano os pais tragam as refeições preparadas de casa. Tirando algumas regras na introdução dos alimentos (podem ler aqui), durante o tempo que estão no infantário, os bebés podem comer sopas básicas e papas de maçã, pera e banana, deixando as coisas mais elaboradas para as refeições em casa. A ordem é para simplificar. Escolham um infantário que não complique a vida aos pais.

Voltando aos planos educativos, até aos 3 anos, existem muitas actividades que as crianças podem fazer, mas também muitas pelas quais eles não desenvolverão qualquer apetência. Só pais de primeira viagem caem no encanto que o infantário dos 4 meses aos 3 anos vai colocar a criança a cumprir um programa linguístico completo, a contar para a frente e para trás, a cantar em português e inglês. Podemos hiperestimular as crianças e até treiná-las para pequenas habilidades (quais macaquinhos de imitação), mas até aos 3 anos, a criança precisa é de brincar e, com a brincadeira, aprender organizar o seu corpo, a sua mente e o seu espaço social. A haver um plano pedagógico este é o único que importa até aos 3 anos. Lembro-me de um infantário biligue (português, inglês) que visitámos onde as educadoras elencavam uma lista infindável de habilidades que o petiz seria capaz (teria de fazer) ao passar para a sala dos 12 meses, que eu fiquei com medo que o JM reprovasse. Para quê complicar?

E, para brincadeira, é preciso espaço. Salas amplas onde os mais pequenos gatinhem à vontade e os crescidos possam correr (sim correr) é fundamental. E um jardim. Um jardim ou parque, que sejam efectivamente utilizados. Porque o pânico que eles se magoem é tão grande, que não deixam os pequenos desenvolver-se livremente. Se houver uma queda ou uma turra, qual o stress?

Na sequência do ponto anterior aparece outro, que acabou por ser vital na escolha do Alcofinha. Pode parecer contraditório, mas o que mais me chocou nas visitas que fizemos a outros infantário foram os protectores de calçado na entrada, as visitas a horas previamente marcadas (regra que seria para manter caso lhes confiássemos o infante), o ambiente pseudo-medicalizado de locais que deveriam estar cheios de bagunça própria das crianças.  O ambiente hospitalar de um dos infantários que visitámos chegava ao ponto de cada criança ser acompanhada de um diário de bordo onde eram registadas as mamadas ou refeições e os repectivos xixis e cócós. Até aí aceitaria, não fosse o caso de os pais terem que continuar a registar as entradas e saídas,  durante as horas passadas em casa. No fundo, um contínuo do ambiente das nossas casas. Para além disso, tenho sempre a sensação que esta obssessão pelo ambiente ultra-higienizado resulta em chamar os pais para ir buscar o bebé mais cedo ao primeiro espirro, a exigir atestados médicos por tudo e por nada, ou seja, a complicar. Repito, a ordem é para simplificar. O ambiente deve ser cuidado mas relaxado quanto baste. 

Finalmente, a experiências prévias. Pais felizes com o serviço e crianças bem-educadas são os melhores cartões de visita de um infantário. Nós fomos visitar o Alcofinha por conselho de uns amigos cujos sobrinhos andaram por lá. Entrámos, limpámos os pé no tapete da entrada e nada de protecores de bloco operatório. Falámos com a Isabel e (upa!) vamos lá ver as instalações (sem marcação prévia!!!). Subimos as escadas de madeira e, lá em cima, o que fazia sentido: duas salas grandes (uma para quem gatinha, outra para quem já caminha com mais à vontade) e um quarto onde ficavam os lactentes dorminhocos até serem suficientemente rijos para se sentarem no meio da barafunda dos que já gatinham. Este critério funcional e adaptado ao que a criança consegue aguentar (e não pelos meses de idade) conquistou-me de imediato. As salas estavam obviamente fechadas com gradeamentos (eles não sairiam de lá e os nossos pés ‘de fora’ não calcariam o chão imaculado. Em baixo, o ambiente era de pré-escola. Era Verão e as crianças de 2 e 3 anos corriam entre a sala de actvidades e o recreio. À entrada lavavam-se as mãos e a cara, à saída colocavam-se os chapéus. Vi crianças verdadeiramente felizes por ali estarem. À saída, a decisão estava tomada.

Ficámos de ligar mais tarde. Ligámos, queríamos pagar a pré-inscrição. «Pagar? Basta darem o nome que pretendem dar ao bebé. Quando ele nascer, passem por cá a inscrevê-lo.» E se ficarem sem vagas? «Não. Está guardado para o JM, está guardado» E se eu desistir? Pode ficar a perder o dinheiro… «Telefone-me. Ainda consigo confiar na palavra das pessoas.» Esta conversa foi tão diferente de outras que tinha tido. Por incrível que possa parecer, num dos infantários que visitámos pediam que pagássemos todos os meses lectivos do ano até à entrada do JM, que se previa ser em Junho. As vagas eram poucas e muitos davam-se a luxos parecidos. Felizmente na Alcofinha criam-se laços entre pessoas. E esses laços jamais serão desfeitos.

JM no último dia na escolinha muito especial.

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