Rebenta a bolha

Há dias, introduzi aqui dois termos médicos – pneumotórax e derrame pleural – que deixei por explicar convenientemente. Não gosto de deixar pontas soltas. Para mais, conhecimento nunca fez mal a ninguém. Então cá vai uma brevíssima explicação.

O derrame pleural corresponde à existência de líquido na pleura, que é um revestimento que cobre o pulmão e a parede torácica. Ele aparece em contextos muito diferentes e o próprio líquido pode ser de natureza muito diferente (pús, sangue, soro, linfa). A causa mais frequente de derrame pleural na criança são as pneumonias. Mesmo assim, só muito raramente, elas precisam de tratamento cirúrgico. Se houver dificuldade respiratória pode necessitar de ser drenado, ou seja, pode haver a necessidade de aspirar com uma agulha ou introduzir um dreno, para retirar o líquido, de forma a deixar expandir o pulmão convenientemente. Só nos casos muito complicados, com formação de empiemas (o primo torácico dos abcesso) é que pode ser necessário uma limpeza cirúrgica do pús dentro da cavidade torácica. Em todo o caso, o mais importante é tratar a causa (e isso é um problema fundamentalmente médico).

[fonte: sedico.net]


O pneumotórax constitui a saída do ar de dentro do pulmão para o tal espaço entre o pulmão e a parede torácica. Dá uma dor súbita no lado afectado e é geralmente um problema cirúrigco. Os pneumotóraxes dividem-se em dois grandes grupos: traumáticos (isto é, por um acidente ou traumatismo) ou espontâneo (ou não traumáticos). Estes últimos podem ser primários (por uma alteração da estrutura dum pulmão não doente) ou secundários (a uma doença pulmonar de base, como a fibrose quística e algumas pneumonias. As alterações da estrutura que podem causar pneumotóraxes primários são as chamadas bolhas (como na figura abaixo), que, ao ‘rebentarem’ para o interior da cavidade torácica, enchem o espaço pleural de ar. Tal como acontecia com o líquido do derrame pleural, o ar também não deixa expandir o pulmão eficazmente. Logo, inicia-se uma dificuldade respiratória crescente, podendo haver a necessidade de colocação de um dreno torácico.

[fonte: blebinfo.co.uk]

Se a bolha demorar a ‘encerrar’ (isso vê-se pela drenagem contínua de ar pelo dreno torácico) ou se se derem vários episódios de pneumotórax do mesmo lado, o cirurgião pode pedir uma TAC (tomografia axional computorizada) e eventualmente realizar toracoscopia para procurar a tal bolha e retirá-la.

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