Pilinhas II

Outra das razões pelas quais trago à baila o tema das pilinhas é o facto de haver um grande tabu à volta do pénis dos miúdos e dos graúdos. Numa sociedade em que a nudez e o sexo aparecem a cada passo na televisão e nas revistas, é estranho que caia uma cortina de vergonha, quando se chega a um assunto tão naif como a pilinha de uma criança. Qual a vergonha de discutir (reparem noutro trocadilho) o sexo dos anjos?

Para assuntos da pilinha, são quase sempre as mães que trazem os meninos à consulta. Muito raramente é o pai que vem e, quando vem, encolhe-se no canto do gabinete. Vergonha? Medo? Indiferença? Acredito que alguns achem que o tempo resolverá tudo, como eventualmente resolveu o seu caso. Outros ignorarão uma regra básica de higiene como é a retracção do prepúcio, tal é a cara de nojo perante a manobra explicativa no prepúcio do filho. Outros há, que se envergonham pelas perguntas que nunca fizeram em relação ao seu sexo, que vêm reflectido no sexo do seu menino. O tema daria um estudo sociológico interessante.

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